O Fundo das Nações Unidas para a Segurança Viária (UNRSF), lançado recentemente Relatório Anual 2024 destaca como os países — incluindo três projetos parceiros da iniciativa iRAP no Vietnã, Quirguistão, Uzbequistão, Tajiquistão e Senegal — estão tomando medidas para reduzir as lacunas em seus sistemas nacionais de segurança viária, a fim de prevenir mortes e ferimentos no trânsito.
O evento de lançamento em 2 de junho, intitulado ‘Modelando o Caminho: Construindo Sistemas de Segurança Viária em Países de Baixa e Média Renda’, fez parte de uma Semana de Segurança Viária de quatro dias em Bangkok, organizada pela Comissão Econômica e Social da ONU para a Ásia e o Pacífico (UNESCAP), a Comissão Econômica da ONU para a Europa (UNECE) e o UNRSF. A Semana reuniu mais de 200 representantes de governos, sociedade civil e setor privado de 45 países para discutir o progresso e as melhores práticas para reduzir pela metade o número de mortes no trânsito até 2030, em linha com a meta 3.6 dos ODS.
Agora em seu sexto ano, o Fundo de Segurança Viária da ONU se tornou uma parceria global apoiando 52 projetos em 94 países, implementados por 18 agências da ONU.
O relatório de 2024 destaca resultados concretos em nível de sistema em áreas de alto impacto, como coleta de dados, atualização das normas para capacetes, projeto de vias mais seguras para pedestres e ciclistas e gestão da velocidade. Entre os projetos dos parceiros da iRAP em destaque estão:
- O Projeto ‘Design de Estradas Seguras e Inclusivas na Ásia Central’, que está harmonizando e modernizando os padrões de projeto de estradas no Quirguistão, Uzbequistão e Tajiquistão (ver página 22);
- Projeto do Vietnã ‘Criando Zonas Escolares Seguras para Proteger Crianças’ (ver página 13);
- O ‘Plano de Dez Passos para um Projeto de Infraestrutura Mais Segura de Senegal’, que apoia o treinamento da agência nacional de segurança rodoviária para avaliar e aprimorar a segurança de toda a rede de infraestrutura rodoviária do país, e o lançamento em maio do SnRAP (ver página 53);
- E os planos para a nova geração de projetos da UNRSF, que apoiarão a legislação de gestão de velocidade e melhorias na infraestrutura para pedestres e ciclistas em países como Brasil, Etiópia, Gana, Irã, Jordânia, Quênia, Libéria, Malaui, Moçambique, Omã, Paquistão, Senegal, Serra Leoa, África do Sul, Tunísia, Zâmbia e Zimbábue. Isso inclui a revisão de marcos legais desatualizados, a ampliação do sistema de classificação por estrelas iRAP e o aprimoramento da fiscalização por meio de sistemas de medição de velocidade mais precisos.
Ao abrir o lançamento, a chefe da UNRSF, Nneka Henry, enfatizou que a decisão de sediar o evento em Bangkok foi uma mudança deliberada para fundamentar os compromissos globais nas regiões mais afetadas por mortes e ferimentos no trânsito. “Esta região não está apenas enfrentando um grande desafio de segurança viária, mas também demonstrando liderança corajosa e inovação em sua resposta”, disse ela.
O lançamento contou com discursos de alto nível do Enviado Especial do Secretário-Geral da ONU para Segurança Viária, Jean Todt, que destacou tanto as conquistas quanto as lacunas que ainda persistem. “O relatório deste ano conta uma história agridoce. Estamos vendo progressos reais, mas o ritmo ainda é muito lento. Mais de um milhão de vidas são perdidas nas estradas todos os anos. Sem leis mais fortes, investimento sustentado e responsabilidade compartilhada, corremos o risco de perder o impulso e mais vidas. A segurança viária não é uma questão técnica; é uma questão de dignidade e justiça.”
O evento também contou com depoimentos de importantes países beneficiários e parceiros, incluindo o CEO interino da iRAP, Greg Smith (iRAP), Luiz Ottavio Miranda, do Ministério da Saúde do Brasil, Saalaev Nazarbek, do Ministério dos Transportes e Comunicações do Quirguistão, e Hideaki Takaishi, engenheiro-chefe executivo da Honda Motors.

Outros projetos com perfil incluem no Brasil, um sistema unificado de dados de acidentes e fiscalização que resultou em um aumento de 73% nas multas de trânsito e uma redução de um terço nas mortes; em Ruanda, a criação do primeiro laboratório de testes de capacetes com padrão da ONU na África, que permite ao país impor regulamentações mais seguras para a importação de capacetes; e na Colômbia, o redesenho de 20 ruas de alto risco por comunidades locais.


Créditos das imagens: UNRSF