- Qual é o seu cargo atual e qual é a visão da ANAS sobre segurança rodoviária?
Em 1996, assim que terminei meu doutorado em engenharia hidráulica ambiental, comecei a trabalhar na Anas, empresa responsável pela construção, gestão e manutenção da rede rodoviária nacional.
Na Anas, tive diversas responsabilidades, incluindo a gestão de um centro de manutenção rodoviária, a supervisão de obras e o projeto de novas estradas.
Em 2015, em decorrência de uma profunda reorganização da empresa, fui transferido para o Departamento de Operações, onde fiquei responsável pela coordenação das atividades relacionadas ao inventário, à classificação técnica e administrativa da rede, à análise de transporte que dava suporte às diversas funções da empresa e à unidade responsável pelo tráfego e segurança viária.
Graças à minha experiência anterior, e em particular aos problemas enfrentados na elaboração dos estudos de viabilidade, decidi reformular a secção relativa à segurança rodoviária.
Em particular, graças também à experiência e às competências dos engenheiros que trabalham comigo, criamos uma nova unidade denominada 'Análise e Planos de Segurança', que realiza a atividade descrita nas diretrizes do Decreto Legislativo 35/2011 sobre ‘Gestão da Segurança da Infraestrutura Rodoviária’, com especial referência à análise das características geométricas e funcionais para a identificação de trechos com alto risco de acidentes.
A ideia desta nova unidade surgiu também graças ao conhecimento do protocolo EuroRAP e à evolução contínua das normas de gestão da segurança rodoviária, em particular a diretiva RISM, que na sua versão mais recente estabelece que a avaliação do nível de segurança de uma infraestrutura rodoviária não se faz apenas considerando os pontos com maior concentração de acidentes (pontos negros), mas sim, de forma mais geral, uma série de características da própria infraestrutura.
- Poderia nos contar um pouco mais sobre o envolvimento da ANAS no projeto SLAIN e os resultados recentes dos Mapas de Risco de Acidentes?
Anas participa como parceiro no projeto SLAIN e está particularmente empenhado nas atividades de Mapeamento de Riscos e Classificação por Estrelas, que considero muito importantes para que uma Autoridade Rodoviária planeje as ações necessárias para melhorar a segurança da rede rodoviária, mesmo após a conclusão do projeto.
Nessa perspectiva, o projeto nos dá a oportunidade de testar os protocolos EuroRAP em uma parte bastante grande da nossa rede – a rede TEN-T – e de adquirir o conhecimento técnico necessário para sua aplicação em toda a rede sob a gestão da Anas.
A primeira etapa concluída do projeto previa a elaboração de mapas de risco com base em dados de incidentes relativos ao período de 2015 a 2017. Ela apresentou resultados interessantes.
Foi possível identificar os trechos com maior risco, tanto em termos de densidade de acidentes (risco coletivo) quanto de taxas de risco de acidentes por quilômetro percorrido por veículo (risco individual), que, felizmente, representam uma porcentagem bastante baixa da rede TEN-T sob gestão da ANAS.
Análises mais detalhadas serão realizadas nessas seções e, também com o apoio dos resultados da próxima classificação por estrelas, será possível identificar medidas de melhoria da segurança.
- Por que você escolheu fazer parceria com a EuroRAP? O que a EuroRAP oferece a você?
Conhecemos a EuroRAP por meio do Automobile Club d'Italia (ACI), membro da EuroRAP desde 2004, e após o encontro em Barcelona, em junho de 2017, tendo apreciado a abordagem da EuroRAP em relação à segurança rodoviária, a disposição para colaborar e compartilhar experiências, decidi submeter a adesão de Anas à organização à Direção.
Consideramos a colaboração com o EuroRAP extremamente útil, visto que as alterações introduzidas na diretiva europeia sobre gestão da segurança rodoviária (RISM II) exigem a adoção de uma metodologia de avaliação da segurança rodoviária em toda a rede, através de critérios e parâmetros que apresentam uma correspondência significativa com os previstos pelo sistema de classificação por estrelas. Assim, o contributo do EuroRAP poderá ser importante na definição da metodologia que a Itália irá vir a adotar.
- Poderia compartilhar uma história de 6 palavras sobre o que o EuroRAP é ou fez por você? Exemplo: "Europa de estradas de alto risco livres" – essa é a missão atual.
Partilha de conhecimento para melhorar a segurança rodoviária